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Escrito por Super User
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Maior nome do MTB brasileiro atual, Henrique Avancini passa a ser patrocinado pelo banco Santander e se prepara para os Jogos Olímpicos em busca de medalha inédita

Avancini na coletiva de imprensa do Santander Foto: Divulgação/Santander

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

O fluminense Henrique Avancini, de 32 anos, o maior nome do mountain bike brasileiro atual, com chance de medalha nos Jogos de Tóquio, tem um novo patrocinador, o banco Santander. A parceria foi anunciada nesta segunda-feira (24 de maio) em uma entrevista coletiva na qual a instituição financeira também apresentou outras ações de apoio ao ciclismo no Brasil, como linha de financiamento para compra de bicicletas, cobertura de suas apólices de vida e acidentes pessoais para ciclistas amadores, seguro contra roubo ou furto de bikes, patrocínio de provas e presença publicitária na transmissão das provas do Grand Tour nos canais ESPN Brasil e do MTB festival, no canal Bandsports, entre outros.

Para Avancini, o crescente interesse dos brasileiros pelos esportes com bicicleta torna o momento propício para a parceria.

Campeão brasileiro, integrante da equipe internacional Cannondale Factory Racing, Avancini começou a temporada 2021 como o número 1 do ranking mundial, mas caiu para a 4ª colocação após a atualização da UCI (União Ciclística Internacional) depois das duas etapas da Copa do Mundo, na Alemanha e na República Tcheca. Com vaga garantida em Tóquio, suas atenções estão voltadas para os próximos meses.

“Os Jogos Olímpicos sempre vêm carregados de uma expectativa externa enorme. As pessoas esperam pelo melhor resultado possível, mas é importante entender que na cabeça do atleta essa expectativa é algo anterior, que vem de forma permanente. O processo olímpico é longo e é importante você competir em alto nível durante todo o período e competições que antecedem”, conta.

“Nós mudamos toda nossa programação para os jogos recentemente, devido às restrições severas no Japão. Vários países cancelaram o protocolo de preparação local por conta disso. Farei minha preparação final na Europa, em um local que já conheço. Viajo para o Japão uma semana antes da prova para já me aclimatar na Vila Olímpica. E essa rotina de treinos é mais simples até que em relação à Copa do Mundo, você tem menos estrutura física para trabalhar e com menos pessoas, então acaba sendo uma rotina simples, de no máximo três sessões diárias e sem esquecer da recuperação física”, revela.

Quando questionado sobre seus principais adversários nos Jogos de Tóquio, o brasileiro cita dois nomes da nova geração que começaram o ano em provas do ciclismo de estrada: o holandês Mathieu van der Poel e o britânico Tom Pidcock, sem, é claro, esquecer do suíço Nino Schurter. “O Nino Shurter é o atual campeão olímpico e atleta mais experiente, é um dos maiores da história da modalidade. Além dele, temos uma geração de atletas um pouco mais jovem, como Mathieu van der Poel, o favorito da mídia, e o inglês Tom Pidcock, que é um talento jovem e muito capaz. Temos também os franceses Victor Koretszky e o francês Jordan Sarrou, que é o atual campeão mundial. Diria que esses são os nomes que chamarão a atenção nos Jogos e podem estar no pódio.”

Avancini na Internazionali d’Italia Foto: Mario Pierguidi

Temporada 2021
Avancini teve um começo de temporada complicado por causa das restrições de viagens aos brasileiros em razão da pandemia. Conseguiu ir para a Itália no começo de abril e começou sua temporada internacional com vitória na Capoliveri Legend XCO, segunda rodada da Internazionali d’Italia Series, na Ilha de Elba, na Itália, deixando Nino Schurter (Scott-Sram) em 2º lugar (reveja aqui).

No final de semana seguinte, ficou em 9º na etapa Marlene Südtirol Sunshine Race, disputada em Nalles, na região de Alto Adige, na terceira rodada da Internazionali d’Italia Series. O brasileiro disse que sentiu dificuldades para respirar, devido ao ar frio e ao pólen (reveja aqui).

No dia 18, no Ötztaler Mountainbike Festival, em Haiming, na Áustria, Avancini começou forte, mas perdeu o ritmo e terminou na 27ª colocação, a mais de 6 minutos (reveja aqui).

Depois, cancelou sua participação na Itália Bike Cup e ficou na Alemanha se preparando para a estreia da Copa do Mundo. Na abertura, em Albstadt, na Alemanha, ficou em 4º lugar no short track (reveja aqui) e em 10º na prova de XCO (reveja aqui). Na rodada seguinte, em Nove Mesto, na República Tcheca, ficou em 13º no short track (reveja aqui) e em 23º no XCO (reveja aqui), no mesmo circuito que venceu em 2020.

Avancini na etapa da Copa do Mundo em Albstadt Foto: UCI

“Esse começo de temporada foi mesmo um período difícil para mim. Principalmente porque demoramos muito a traçar um plano de preparação, tentamos viajar e fazer algumas competições e sempre tivemos que alterar esse planejamento. Isso acabou quebrando qualquer estratégia e fiquei com a pré-temporada comprometida. Mas agora me vejo em uma situação melhor, ainda num tempo bom para pensar e preparar a segunda parte do ano, que obviamente inclui os Jogos Olímpicos”, afirma.

“Eu não gosto de me rotular e quero acreditar que minha melhor versão ainda é algo a ser descoberto. Claro que até aqui é o momento mais expressivo, ainda me sinto com a possibilidade de crescimento, desde que eu trabalhe da forma correta. Mas penso que ainda posso melhorar, unindo a minha experiência e ao mesmo tempo a explosão de um atleta ainda jovem”, completa Avancini.

“Eu tive uma criação muito pautada na instrução. Meus pais sempre me instruíram e apoiaram minhas decisões. Esse processo de se tornar um atleta profissional é muito longo, incerto e uma estrada cheia de percalços e altos e baixos. Sempre contei muito com o incentivo do meu pai no apoio da minha paixão, mas em relação a apoiar isso como um trabalho ou fonte de renda, sempre foi difícil para todos nós. Naquela época, o esporte não era desenvolvido suficientemente para que eu pudesse sonhar isso. Então tem sido uma jornada extensa e intensa, de crescimento pessoal e, sobretudo de desenvolvimento da modalidade como todo. Mas essa é a grande realização da minha carreira, enxergar hoje o esporte que amo tanto crescendo e ver também minha carreira crescer de forma proporcional”, contou Avancini.