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Escrito por Bikemagazine
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A bicicleta é comercializada exclusivamente nas lojas Decathlon por R$ 7.999,99

Do Bikemagazine
Texto e fotos de Gabriel Vargas

Após muitos anos apostando exclusivamente nas mountain bikes com rodas de aro 27.5″, os franceses da Decathlon finalmente apresentam sua opção com aro 29″. O modelo Rockrider XC 500 chegou ao Brasil no segundo semestre de 2018 de olho no consumidor que procura por uma boa opção entre as bikes de alumínio bem equipadas. Como veremos adiante, a XC 500 é uma ótima bike, mas encara um páreo duro entre as concorrentes nacionais.

A bike tem “vocação para quem busca mais performance”, como definiu o gerente da BTwin no Brasil, Marcello Toshio (veja reportagem). É importante lembrar que a rede francesa tem como objetivo a democratização do esporte e trabalha com uma gama de produtos com preços acessíveis. A XC 500 é primeira aposta da marca nos praticantes de mountain bike com uma pegada mais competitiva.

A Rockrider é a marca das mountain bikes da rede francesa de lojas de artigos esportivos, ao lado da Triban – que passa a ser o nome da marca das bikes de estrada. Ambas estão sob o guarda-chuva da BTwin, que é a divisão de bikes em geral da Decathlon. A Rockrider trouxe excelentes modelos nos últimos anos (como a 960 com quadro de carbono), mas todas esbarravam no insucesso comercial das 27.5.

Não que a Rockrider tenha, de fato, abandonado as “vinte-e-sete”. A XC 500 foi projetada para receber rodas aro 29”, 27.5” e 27.5”+. Na Europa, o comprador pode escolher com qual roda a bike virá equipada e ainda pode adquirir as rodas extras separadamente. Para o mercado brasileiro, essa versatilidade não é um fator atrativo e as bikes estarão disponíveis apenas com a opção padrão 29”.

A XC 500 vem equipada com grupo SRAM GX de 11 velocidades, suspensão RockShox Reba RL 100mm e pesou 11,98 kg em nossa balança (tamanho L), sem pedais. A bike é encontrada exclusivamente nas lojas Decathlon e pode ser comprada pela internet. O preço é de R$ 7.999,99 ou parcelada em 10 vezes de R$ 799,99. Até aqui, ponto para a Decathlon.

Quadro

A traseira recurvada permite pneus até 2.4 e ajuda no conforto. Os cabos passam sob o tubo inferior

O chassi surpreende pelo bom acabamento e engenharia atenciosa nos detalhes, além do visual robusto e imponente. Feito com tubos de tripla espessura nas ligas de alumínio 6061 e 6013, o quadro tem eixo traseiro Boost 148×12, movimento central Press Fit 92, pesa aproximadamente 1,6kg no tamanho M (segundo o fabricante) e possui garantia vitalícia.

O quadro é feito com tubos de tripla espessura e o detalhe movimento central PF92

Além, claro, do sistema Switch And Ride, que torna a bike compatível com rodas 29”, 27.5” e 27.5”+. O chainstay rebaixado ao lado da coroa permite que o quadro acomode pneus até 2.4” com folga, ideal para quem deseja utilizar uma configuração 27.5”+.

Os engenheiros franceses fizeram um bom trabalho com a geometria. Na prancheta, o quadro tem ângulos e dimensões compatíveis com as tendências mais modernas para o cross-country: frente longa, 69,5º no ângulo da direção e traseira curta. Como veremos na hora do teste, a bike se sai muito bem em praticamente qualquer tipo de trilha.

A XC 500 está disponível nos tamanhos S, M, L e XL. Todos os tamanhos possuem os mesmos ângulos para a direção e para o tubo do selim, e as medidas do alcance (reach) crescem quase linearmente com os tamanhos. A variedade de tamanhos disponíveis atende a uma ampla gama de consumidores. O quadro recebe uma bonita pintura vermelha com detalhes em branco e neon, combinando com outros detalhes dos componentes. Os cabos passam por baixo do tubo inferior, afixados por um discreto e elegante sistema de presilhas e evitando as complicações da passagem interna. Às vezes, as boas e velhas soluções mais simples são a melhor opção.

Componentes
A configuração da bike é tão robusta quanto o quadro, tanto visualmente quanto tecnicamente. O conjunto é suspenso pela RockShox Reba RL 100 mm com hastes de 32 mm, um dos pontos altos da XC 500.

O sistema de trava de acionamento rotativo Combolock foi desenvolvido pela BTwin em parceria com a RockShox

A suspensão possui uma trava de guidão exclusiva, desenvolvida pela BTwin, denominada Combolock. Ela foi projetada em parceria com a RockShox para travar as suspensões dianteira e traseira ao mesmo tempo. Mas como a XC 500 é uma hardtail, a vantagem do sistema se perde em meio às desvantagens, como veremos adiante.

Detalhe do freio traseiro Sram Level T com rotor de 160mm

A transmissão fica a cargo do grupo SRAM GX 1×11, complementado por uma pedivela Truvativ Stylo com coroa compatível com Eagle e freios SRAM Level T, com discos de 180 mm na dianteira e 160 mm na traseira. Rumores indicam que o modelo 2019 virá equipado com GX Eagle 1×12.

O conjunto de rodagem complementa o visual robusto do quadro e garfo. De fato, as rodas Sun Ringlé Duroc com aros de 30mm de largura e os pneus Hutchinson Toro 2.1 com cravos grandes e espaçados parecem maiores do que são, como se tivessem saído de uma bike trail. A XC 500 é acabada com outros componentes da própria BTwin, como o guidão, mesa, selim e canote.

Durante os testes

No dia 17 de novembro de 2018 disputamos o MTB 12 Horas em Campinas com a XC 500

Rodamos com a Rockrider XC 500 em diferentes terrenos e situações, desde treinos longos em estradões de terra seca, trilhas técnicas com muitas raízes e piso úmido, além de uma prova de longa duração.

A primeira e mais marcante impressão é justamente a geometria da bike. O ciclista fica em uma posição ligeiramente agressiva, mas sem excessos. Ao entrar nas primeiras trilhas técnicas, razoavelmente planas, a bike surpreendeu: é altamente manobrável, muito ágil em curvas e uma delícia nas descidas. O quadro longo com mesa curta e o ângulo relaxado da direção fazem maravilhas com a condução das MTB modernas. A bike não deixou a desejar em conforto, com a traseira curvada cumprindo o dever de dissipar alguns impactos e vibrações.

A bike vem equipada com rodas Sun Ringlé Duroc calçadas com pneus Hutchinson Toro 2.1

Na hora de subir, a posição é bem encaixada e a bike fica bem à mão, sem querer empinar mesmo nas rampas mais íngremes. Porém, o conjunto de rodas e pneus se mostrou muito pesado (são aproximadamente 5kg no total, entre rodas e pneus), dificultando a vida na subida e roubando um pouco da agilidade e reatividade da bike nas arrancadas em single-tracks. Os pneus não pareceram muito adequados para o piso seco e duro das estradas de terra, embora não tenham desempenhado mal – apenas alguns sustos nas curvas mais velozes. Nas trilhas com raízes e piso úmido, por outro lado, eles se saíram muito bem.

A suspensão Reba é excelente e realmente está um nível acima das Recon e Judy em termos de rigidez do conjunto, perceptível em situações críticas como frenagens, saltos e sequências de curvas agressivas. Porém, o sistema Combolock, desenvolvido em parceria com a RockShox, não agradou muito. O acionamento é vago, e fica difícil entender o que está acontecendo se o ciclista usa luvas grossas. Houve momentos em que girei a borda da manopla pensando estar acionando a trava da suspensão. Além disso, o acionamento com movimento do punho (similar aos antigos Grip Shift da SRAM) é pouco convidativo ao uso recorrente. O sistema de trava original da suspensão, chamado de OneLoc, é sem dúvida melhor que o Combolock.

Detalhe do chainstay rebaixado e do grupo SRAM GX de 11 velocidades

A transmissão de 11 velocidades SRAM GX funciona impecavelmente, como esperado. Mas também como esperado, a relação de marcha não atende a todas as situações: no meu caso, o volante de 32 dentes não ajudou muito na hora acompanhar os atletas com SRAM Eagle e Shimano 2×11 nos trechos mais velozes nos treinos em estradão. Os freios funcionam bem, com acionamento macio e leve. Não tem a mesma modulação e potência absoluta das gamas superiores, mas é totalmente adequado para a sua função mesmo nos momentos de maior exigência.

O conjunto de peças BTwin completou muito bem o pacote. O selim é bastante confortável e agradou bastante. O canote com micro ajuste é chato na hora de regular, mas tem qualidade e cumpre seu papel, assim como a mesa e o guidão de 720mm de largura. As manoplas não saíram do lugar nem incomodaram, mas estão longe de terem o mesmo nível de qualidade dos demais componentes.

Veredito
No geral, a Rockrider XC 500 é uma bike muito bem desenvolvida, que anda bem, tem uma pilotagem ótima e é confortável. O quadro em si é realmente muito bom. É perceptível como a estrutura é firme o suficiente até para quem quer competir, mas não pode ou não quer partir para uma bike de carbono; isso tudo sem ser áspera ou dura demais.

Com um ótimo quadro, ótima suspensão, mas um grupo de transmissão com suas limitações e um conjunto de rodas e pneus robustos, porém pesados, a XC 500 merece alguns upgrades futuros para quem procura mais desempenho, mas está muito adequada para aqueles que querem apenas uma bike confiável, honesta, com muita qualidade e boa garantia.

O quadro é bem-acabado e demonstra robustez nos mínimos detalhes

Por si só, a bike tem qualidades mais do que suficientes para se estabelecer no  mercado. Quando colocamos seu preço na balança, porém, encontramos algumas concorrentes que farão a vida da XC 500 bem difícil no mercado – veja o resumo abaixo. Mas a Rockrider tem seus trunfos: garantia vitalícia para o quadro, a excelente suspensão (acima de todas as concorrentes), as condições de venda e pagamento oferecidas pela rede Decathlon etc.

A XC 500 certamente conseguirá uma maior fatia do mercado quando (e se) chegar com o grupo de 12 velocidades. Por enquanto, já sabemos que a Rockrider tem uma excelente base para isso.

Concorrentes:

    • Groove Riff 90, alumínio, SRAM NX Eagle 1×12, RockShox Recon RL –  R$ 7.699,90

    • Soul SL 729, alumínio, SRAM NX Eagle 1×12, RockShox Recon RL –  R$ 7.790,00

    • Sense Impact Race, alumínio, SRAM GX Eagle 1×12, RockShox Judy Gold – R$ 8.490,00

    • Caloi Carbon Sport, carbono, Shimano SLX 2×11, RockShox Recon –  R$ 8.899,00

    • Oggi Big Wheel 7.4, alumínio, Shimano SLX 2×11, Manitou Machete Comp –  R$ 6.299,00

    • Scott Scale 980, alumínio, SRAM NX Eagle 1×12, RockShox Silver 30 – R$ 8.299,00