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Escrito por Bikemagazine Texto e fotos de Gabriel Vargas
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Brasileiro foi um dos destaques da Copa da França de Pista, disputada no fim de semana

A bike tem quadro e garfo de alumínio, grupo Shimano Claris 8V e freios a disco mecânicos

Do Bikemagazine
Texto e fotos de Gabriel Vargas

A Sense Criterium é uma bike de estrada que disputa o segmento das bikes de entrada. Com preço sugerido de R$ 3.490, a estradeira se destaca claramente das suas concorrentes por ser a única disponível com freios a disco. De fato, a Criterium só existe na versão a disco. A pergunta que fazemos desde que vimos a primeira versão da bike, em 2017, é: vale a pena?

O modelo custa R$ 3.490 e pesa 11,4kg

A história deste modelo é interessante. O francês Pierre de Tarde, gerente de desenvolvimento da Sense, foi ciclista profissional na França, anos antes de vir ao Brasil. Na empresa mineira, ele pode colocar em prática o seu sonho de ter uma bike de estrada esperta, com geometria moderna e com freios a discos. A Criterium nasceu a partir desse desejo, junto com a necessidade de oferecer uma bike com preço mais acessível.

A bike vem com o grupo Shimano Claris R2000, mas com a versão antiga do pedivela FC-RS200

A Criterium tem quadro e garfo de alumínio, grupo Shimano Claris R2000 de 8 velocidades e freios a disco mecânicos Shimano R317. A bike possui uma irmã maior, a Criterium Race, que custa R$ 1 mil a mais. A versão Race tem o quadro com uma geometria ligeiramente diferente, com algumas diferenças nas gancheiras, no roteamento dos cabos e nos suporte para freios, além de vir com garfo de carbono e grupo Shimano Sora de 9 velocidades. A diferença de peso entre a Criterium e a Criterium Race é de aproximadamente 600 gramas.

O Bikemagazine avaliou um modelo tamanho M da Criterium, infelizmente muito pequena para mim em um teste de longa duração, mas foi possível avaliar bem as características, qualidades e defeitos dessa bike. A Sense Criterium pesou 11,4kg em nossa balança, bem próximo ao divulgado pela fabricante.

Quadro e garfo
O quadro é construído com tubos de alumínio 6061 de dupla espessura e caixa de direção cônica. O cabo do freio traseiro passa internamente pelo tubo superior, enquanto que os demais cabos passam sob o tubo inferior. O suporte dos freios são no antigo padrão IS/Standard, o movimento central é de rosca e as gancheiras recebem blocagens convencionais.

O quadro é feito com tubos de alumínio 6061 de dupla espessura

A Criterium está disponível em três tamanhos: S (50 cm), M (53 cm) e L (56 cm) e o tubo superior horizontal mede respectivamente 53, 55 e 57,5 cm em cada um desses tamanhos. A geometria é razoavelmente agressiva, com quadros relativamente longos em relação à altura, e os ângulos e dimensões são mais próximos de uma legítima bike de competição do que de uma bike endurance.

O garfo é inteiramente em alumínio. Isso costuma ser alvo de críticas iniciais, especialmente ao notar que três das suas quatro concorrentes diretas possuem garfos de carbono. Mas, como percebemos durante os testes, o garfo cumpriu muito bem o seu papel, talvez até melhor do que um garfo de carbono de baixa qualidade. E, como sabemos, um garfo em alumínio bem projetado e construído pode ser apenas alguns gramas mais pesado do que um garfo misto de carbono com coroas e espiga em alumínio, como é comum nas bikes nesta faixa de preço.

Componentes e rodas
A Sense Criterium conta com transmissão compacta Shimano Claris R2000 de 8 velocidades, com os trocadores STI no mesmo formato e ergonomia das versões superiores da Shimano, além da passagem dos cabos por baixo da fita de guidão – um avanço em relação à versão anterior do Claris. O pedivela FC-RS200, porém, ainda é da versão anterior do grupo e utiliza movimento central de ponta quadrada. Algumas concorrentes da Criterium, por outro lado, já vem com o pedivela FC-R2000, com eixo integrado e com o padrão mais moderno de coroas com quatro furos da Shimano.

Detalhe do freio a disco dianteiro com acionamento a cabo

Os freios a disco mecânicos Shimano R317 fazem par com os discos Centerlock Shimano RT30. As rodas são montadas pela própria Sense, com aros fabricados pela Vzan – aparentemente é o modelo Spin – cubos Shimano RM35 e raios Leader da marca belga Sapim, que dão um toque a mais de qualidade ao produto. Os pneus Chaoyang Attack 700x28c, embora simples, ajudam muito a bike a ter as boas características de rodagem que apresentou durante o teste.

Cockpit com componentes da própria Sense e cabos embutidos

A Criterium é acabada com componentes da própria marca Sense – guidão, mesa, fita, canote e abraçadeira. A fita de guidão e os adesivos da roda em vermelho complementam os detalhes do quadro e deixam a bike com um visual chamativo e vibrante, apesar do cinza predominante no quadro e garfo. O selim é um Selle Royal Asphalt, uma excelente escolha.

Durante os testes
A Criterium mescla ao mesmo tempo algumas excelentes qualidades, mas com alguns pontos negativos importantes. É impossível ter uma bike leve, rígida, durável, confortável e eficiente nessa faixa de preço. Os engenheiros precisam decidir quais serão as prioridades e quais qualidades serão deixadas de lado. No caso da Criterium, a rigidez e o conforto, embora antagônicos, são suas principais qualidades. Mas o peso e a funcionalidade, por outro lado, seus defeitos.

Detalhe da traseira: rodas Sense/VZan com pneus Chaoyang Attack de 28mm

O rodar suave e confortável é notado de cara. A bike rola no plano com facilidade, passando uma boa sensação de conforto. Os pneus 28c ajudam bastante, além do selim muito confortável com trilhos recuados na parte traseira e superfície lisa e firme. A traseira também recebe uma ajuda dos seatstays achatados, enquanto que a dianteira surpreendeu mesmo apesar do garfo de alumínio. Mesmo em asfalto ruim, a bike rodou bem e com facilidade.

O outro ponto positivo é a firmeza geral do conjunto. Ao pedalar em pé e ao realizar alguns sprints, a bike respondeu muito bem, graças às rodas robustas com aros de perfil alto e 32 raios, além do quadro bem projetado e bem construído. O garfo também mostrou sua firmeza nos momentos de pedalada em pé, curvas agressivas e frenagem. A geometria funciona: a bike encara as curvas com bastante disposição e equilibra muito bem a estabilidade com reatividade na direção.

Se a bike vai bem nos planos, a história é bem diferente nas subidas e acelerações. Seus 11,4kg não perdoam na hora de encarar um treino em terreno variado com outros ciclistas, por exemplo. As rodas e pneus são pesados, o que é sensível na hora de subir e arrancar. O fato da bike ter freios a discos e movimento central de eixo quadrado contribui em grande parte para o peso extra, mas nessa faixa de preço não é possível encontrar nada muito diferente disso, de toda forma. A Criterium tem o aro de perfil mais alto entre suas concorrentes, e pesa 1kg a mais que todas elas se consideramos o peso divulgado pelos fabricantes.

Shimano, we have a problem
Outro aspecto que incomodou bastante foi o câmbio dianteiro que insiste em raspar na corrente quase todo o tempo. Tentamos diferentes ajustes de posição e tensão do cabo, mas nada evitava que a corrente tocasse o câmbio na maioria das combinações de marcha.

Segundo um funcionário da empresa que prefere se identificar, o comportamento do câmbio é normal nos produtos Shimano de baixa gama. A verdade é que o Claris – pelo menos no modelo testado – não tolerou minimamente o cruzamento de marchas. A troca de coroas, a todo momento em que há uma variação no terreno, é necessária e deixa a pedalada “chata”, para dizer o mínimo.

A flexibilidade do movimento central de ponta quadrada e das coroas de aço estampado só pioravam a situação em momentos em que maior potência era aplicada aos pedais. Isso significa que passamos a maior parte dos testes ouvindo o barulho de metal contra metal, o que prejudicou consideravelmente nossas impressões em relação ao modelo.

Os novos STI Claris tem ótima ergonomia e boa atuação, tanto em relação ao câmbio quanto aos freios. As mudanças no câmbio traseiro foram ok, dentro do esperado para a linha.

O selim Selle Royal Asphalt agradou bastante

Como dito, o selim agradou bastante e é um dos destaques entre os componentes da bike. Sentimos falta dos ajustes de tensão dos cabos de câmbio, que poderiam estar presentes no tubo inferior. Também não gostamos da ergonomia do guidão, com topo muito achatado, resultando em uma pega ruim para as mãos, e drops com uma curvatura pouco usual e pouco confortável.

Sobre os freios a discos
Os freios mecânicos cumprem o seu papel e freiam com muito mais consistência e qualidade do que um freio de aro de uma linha simples como o Claris. A presença dos discos na Criterium nos faz pensar que a bike seria uma boa opção para deslocamentos urbanos e viagens, já que é uma bicicleta acessível e confortável. Porém, o quadro não tem nenhuma amenidade que atenda às necessidades de quem pretende instalar bagageiros ou coisa do tipo.

O cabo do câmbio traseiro é embutido no tubo horizontal

Obviamente, muitos irão questionar se precisamos de discos em uma bike de estrada, e mais ainda, se precisamos de discos em uma bike nessa faixa de preço. Mas, se a resposta para essas questões é positiva, então a Criterium é a única bike no mercado nacional que atende a essa demanda. Ponto para a Sense.

E quem precisaria de discos em uma speed, sem a intenção de utilizá-la como uma bike para deslocamentos e aventuras randonneur? Há três possíveis públicos: Primeiro, o praticante de mountain bike que procura uma bike muito robusta exclusivamente para treinos; segundo, o iniciante que procura uma bike que transmita segurança e controle; e por fim, o praticante de ciclismo que já tem uma boa bike e deseja ter uma alternativa para treinar na chuva ou em condições desfavoráveis. A sense Criterium atende muito bem e por um bom preço a estas demandas.

Veredito
A Sense Criterium é a única estradeira verdadeiramente de entrada com freios a disco. Isso pode ser um diferencial para parte do público, mas também pode ser algo questionável para muitos. O fato é que temos uma bike com características muito divergentes.

Gostamos do conforto geral da bike e da firmeza do conjunto, com quadro e rodas rígidos. A qualidade do rodar no plano é muito boa, independente das condições do asfalto. A bike tem uma condução esperta e ágil, o que também agradou.

Por outro lado, seu peso é muito evidente, o que prejudica a performance em subidas e acelerações. Também não gostamos do funcionamento do câmbio dianteiro, que quase sempre toca a corrente.

Em vista disso, entendemos que a Sense Criterium é pode atrair quem procura uma bike firme, segura, robusta e confortável, mas que não pretende competir ou encarar provas, treinos coletivos ou pelotões com subidas. Para praticantes de mountain bike que precisam de uma bike de estrada simples para treinos, a Criterium é uma ótima opção.

Concorrentes nacionais:
Caloi Strada 2019: garfo não informado, grupo Shimano Claris R2000 (inclusive pedivela) – R$ 3.299
Oggi Velloce 300: garfo de carbono, grupo Shimano Claris R2000 (com o pedivela RS200 mais simples, assim como a Criterium) – R$ 2.999
Groove Overdrive 50: garfo de carbono, grupo Shimano Claris R2000 (inclusive pedivela) – R$ 3.699,90
Soul 1R1: garfo de alumínio, grupo Shimano Claris R2000 (inclusive pedivela) – R$ 3.290